A Vitória de Joe Biden e Kamala Harris à Presidência dos EUA

A Vitória  de Joe Biden e Kamala Harris à Presidência dos EUA, declarada de forma incontestável  pelos órgãos de imprensa no dia 7  de novembro de 2020, tem significados múltiplos neste momento da história para o  mundo e em especial para os Estados Unidos da América. 

Biden teve como primeiro emprego – salva vidas em um clube de afro americanos em sua Cidade Natal,em seguida se elegeu Vereador, primeiro cargo político,  propôs projetos de lei, dentre os quais,  de inclusão  da comunidade negra local nos programas sociais. Em 1972, foi eleito o mais jovem Senador da história Americana.  Agora Presidente aos  77 anos, com a maior votação   para um presidente dos EUA, tendo como Vice Presidente uma mulher – Kamala Harris, filha de imigrantes e negra. Tendo sua trajetória nesta corrida eleitoral sido  marcada pela importante participação da Comunidade Afro-Americana, das mulheres e do eleitorado jovem, em um cenário de Pandemia do Corona Viris19, e na efervescência do movimento reivindicatório – Black Lives Matter – Vidas Negras Importam.

Os discursos de ambos na noite do dia 7 de novembro, foi a lembrança das histórias de cada um à sua forma, Biden junto à Comunidade Afro Americana, onde a Comunidade, foi fundamental na sua primeira eleição como Senador em 1972, nas Primárias para ser escolhido candidato e agora nas eleições propriamente ditas. Kamala mulher negra  filha de imigrantes que fez história no país e por suas qualidades e seu ativismo na defesa do movimento -Black Lives Matter – Vidas Negras importam, foram ingredientes cruciais para a vitória do dupla. 

A vitória Biden-Kamala à Presidência dos  EUA, é para o mundo, uma vitória da Democracia, da atenção ao aquecimento global, do respeito à Ciência, aos Direitos Humanos e  combate ao racismo sistêmico e estrutural na sociedade americana. Saliento que tanto Biden quanto Kamala deram ênfase que a agenda racial deve estar no centro das questões econômicas da Administração e deve ser  uma prioridade por si só, buscando a expansão  de políticas de investimentos em “empresários negros, latinos e indigenas” .

Um país, ex-escravocrata,  de população composta por 12,3% de negros, elegeu em menos de 20  anos duas vezes um Presidente Negro e agora uma Vice Presidente Negra com ideais humanistas. Espero que possa ser o início de uma grande mudança mundial e que o humanismo e a empatia floresça nos  corações desta humanidade, até então muito polarizada.

Por final  vislumbro uma janela de oportunidades do fomento ao empreendedorismo Negro não só nos EUA, mas também no intercambio com esse segmento na Diaspora Americana,  em especial no Brasil com aproximadamente 55% da sua  população negra.

Adv-Ademir José da Silva

Presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil -OAB Campinas

Membro Coordenador da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil OAB SP

Membro Consultor da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil-”CFOAB”

Diretor Jurídico do Congresso Nacional Afro Brasileiro – CNAB.